Sobre a perfeição

Às vezes gostava tanto de ser uma mulher perfeita: daquelas que tem tudo sempre sob controle, que está sempre a tempo em todo o lado, que tem as unhas arranjadas e o ginásio em dia, que tem todas as refeições equilibradas, com super nutrientes e dignas de instagram, que tem o armário cheio de roupas giras (e que servem lindamente) para ela e para toda a família.
Que tem tempo para ir buscar as crianças e levá-las ao parque e contar histórias para adormecer todos os dias, e que tem tempo para despachar os emails todos antes das 10 da manhã e ser super produtiva e ainda ter tempo de ir almoçar com as amigas e falarem das suas vidas perfeitas.
Que nunca vai buscar as crianças 2 minutos antes das horas da escola fechar, que não grita com os filhos porque estão atrasados.
Que não come chocolates e gomas depois das crianças adormecerem, ou melhor ainda, que come e não engorda um grama, até porque, lá está, tem tempo de ir ao ginásio, ao cross fit, ao yoga dinâmico ou correr junto à marginal.
Que tem tempo para expontaneamente sair por aí com o seu mais que tudo e acabarem num sítio lindo – pode ser no alentejo, na galiza ou trás-os-montes cheios de amor e paixão
Que tem férias perfeitas junto à piscina com um livro ou 5 num país exotico – Dubai, Bali, Bangkok, ou numa grande metrópole que nunca dorme, e jantares de sushi em restaurantes da moda, e saídas à noite para dançar até ao sol nascer, de margarita na mão e amigos a condizer.
Eu não sou uma mulher perfeita, nem uma mãe perfeita, nem uma amante perfeita, nem uma companheira perfeita, nem uma filha perfeita, nem uma amiga perfeita, e todas os esforços para ser mais perfeita de um lado fazem-me mais imperfeita de outro, como um lençol demasiado pequeno para chegar a todo o lado. E isso faz-me sentir quase sempre culpada por não ser melhor, por não ser perfeita.
Mas não é humanamente possível ser perfeita em tudo.
Esta ideia de mulher perfeita, que nós idealizamos, não existe. Lutamos por ser perfeitas em tudo o que fazemos, exigemos de nós mesmas tanto que vivemos numa constante frustração por não sermos capazes de mais, culpadas por não sermos melhores mães, profissionais, amantes, amigas, filhas…
Vamos (vou!) procurar sempre ser melhor, em cada vertente de ser mulher.
Mas temos de começar por ser melhor para nós próprias: desculpar-nos por não sermos perfeitas, desculpar as nossas falhas, e aceitar-nos como somos (gomas e tudo).
Mantra do dia: Be gentle with yourself. You’re doing the best you can.

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