Regresso às aulas

Hoje foi o primeiro dia de aulas deste ano para as nossas abobrinhas. Como uma passa para o segundo ano com a mesma professora e a outra continua no Jardim de Infância com os colegas do ano passado, é uma transição fácil, de continuidade, que fazemos tranquilamente.

Ou faríamos, porque cada ano começa sempre  com um peso que a escola nos transmite, uma ansiedade que nos impõem e nós pais temos de engolir, digerir, absorver e disfarçar para que as crianças não sintam.

Este ano foi porque o segundo ano é muito mais exigente do que o primeiro, com metas curriculares complicadíssimas que vão obrigar as crianças a trabalhar mais, com mais trabalhos de casa do que no ano passado.

Estas crianças têm aulas das 9 às 17h todos os dias. Se tiverem uma atividade extracurricular – por exemplo natação, ballet, judo, futebol ou o que for, com trabalhos de casa 2 ou 3 vezes por semana não lhes sobra tempo nenhum para brincar.

E este ano o corpo de docentes da escola decidiu que os pais não podem ir à sala dos seus filhos cantar os parabéns com ele no dia do aniversário. A escola não é um salão de festas, foi o comentário que ouvi. Sem duvida – a escola não é um salão de festas, nem um espaço em que as crianças possam ser crianças, nem onde os pais são bem vindos, apesar de toda a demagogia que argumenta que a família deve ser envolvida na vida escolar.

Há crianças ocupadas das 9 às 19h todos os dias, sem tempo para ser crianças, pela carga horária que a escola  – e os pais -lhe impõem.

Há crianças que passam todo o dia na escola porque os pais têm de trabalhar e não conseguem ir buscá-las mais cedo.

Há professores colocados a centenas de kilometros de casa e têm de viver longe da sua família durante a semana.

Não sei se noutras escolas é prática os pais celebrarem o aniversário com os seus filhos. Na nossa era.

Todos os anos há mais algumas pequenas medidas que, por razões várias, vão empurrando os pais para fora dos portões da escola, para longe da vida dos filhos, e fazendo a vida deles e de nós todos menos humana.

E nós regressamos da reunião de pais, 3 horas depois, com uma angustia no estomago, uma tristeza e um desejo de poder dar às nossas filhas um ensino em que as crianças, os pais e os professores fossem respeitados.

Guardamos o veneno que nos corroi a alma, digerimos e damos a volta para começar o primeiro dia de escola com uma alma nova, para encher os olhos dos nossos filhos de sonhos e ajudá-los a serem felizes neste novo primeiro dia da sua vida.

Bom regresso às aulas.

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